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UEPG PERDE 91 BOLSAS DE PÓS-GRADUAÇÃO COM PORTARIA DA CAPES

17/04/2020 09:04Atualizado - 09:09

Assessoria SINDUEPG

 


A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) perderá 91 bolsas de pesquisa de Pós-Graduação entre cursos de mestrado e doutorado. A redução é fruto da Portaria 34, publicada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em 9 de março, que, em suma, tem significado um corte gigantesco de bolsas de programas de Pós-Graduação em todo o País. Na UEPG, as áreas mais afetadas são Biologia Evolutiva, Ciências Farmacêuticas e Química. As informações foram obtidas pelo Sindicato dos Docentes da UEPG (SINDUEPG-Andes/SN) por solicitação à Associação de Pós-Graduandos da UEPG (APG). Em 2 de abril, o SINDUEPG solicitou à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesp) os números dos cortes de bolsa da Capes na instituição, mas a resposta, no dia seguinte, trouxe apenas informações breves sobre o novo modelo de distribuição e contatos dos coordenadores de cada Programa; ou seja, a Propesp se recusou a informar os dados ao SINDUEPG, os quais já haviam sido repassados à APG .

Com a Portaria, há o corte de 32 bolsas nos Programas de mestrado na UEPG. Já na cota empréstimo, o total passa a ser de 59 bolsas. Isso significa que 59 bolsas são “cedidas” à instituição e devolvidas à Capes após a defesa do mestrando. Com isso, são 91 bolsas extintas em um período de um a dois anos.

A Portaria altera critérios de bolsas de pesquisa e condiciona os recursos à disponibilidade de orçamento. Segundo o texto, “a definição de valores, critérios e prioridades para o fomento aos cursos de que trata esta Portaria condicionar-se-á à existência de disponibilidade orçamentária e dar-se-á fundamentadamente, mediante juízo de oportunidade e conveniência da Administração”. Com essa condição, cursos que têm as menores notas e, por sua vez, precisam ainda mais de incentivo, são os mais prejudicados.

“Priorizar apenas cursos com boas notas significa fechar as portas daqueles que têm notas menores. Isso é uma previsão muito clara para nós, já que a evasão é lógica. Os estudantes dependem da bolsa para se manter e colaborar com a qualidade do Programa”, destaca o presidente do Sindicato dos Docentes da UEPG (SINDUEPG), Marcelo Ubiali Ferracioli.

“Destruir a pesquisa brasileira é um objetivo dos governos federal e estadual. Mas, para além disso, são pessoas que buscam oferecer trabalho de qualidade e de importância social sendo prejudicadas. Cada vez mais, o desmonte da educação e da pesquisa é real e nos afronta. Não podemos aceitar que a pesquisa, tão importante para o país, seja derrubada desta maneira”, afirma o presidente do SINDUEPG.

“Se com bolsas já é difícil fazer pesquisa, sem bolsa é muito mais complicado ainda. Então, você não ter bolsa é com certeza ter dificuldade na ora de fazer pesquisa de alta qualidade, que exige tempo e dedicação. Isso faz, com certeza, que o programa perca nota no médio e longo prazo”, garante a vice-presidente da Associação de Pós-Graduandos da UEPG (APG), Isabela Gobbo.

Áreas da ciência e tecnologia são bastante prejudicadas na UEPG. “A pesquisa realizada nas universidades brasileiras é o que nos leva para frente contra crises, como a que vivemos agora na saúde e na economia, além de conquistar avanços em diferentes áreas. São estudos consistentes e muito bem fundamentados, que precisam do incentivo do estado, que salvam vidas do povo trabalhador e melhoram a sociedade”, defende o presidente do SINDUEPG. “Os pesquisadores foram e são essenciais para garantir o desenvolvimento do país e, hoje, somos totalmente desvalorizados e estamos sob critérios de priorização do que é do interesse do mercado e de governos, muitas vezes com posturas autoritárias, elitistas e preconceituosas em todos os sentidos”, garante.

“Precisamos de pesquisa desenvolvida no nosso país, de um estado que fomente pesquisa e os benefícios que ela pode garantir para nós. Eu acredito que a gente já tem diversos exemplos do quanto a pesquisa é importante. Nesse cenário, pesquisas de saúde são importantíssimas. As universidades têm colaborado muito em todos os processos de desenvolvimento de pesquisas envolvendo coronavírus, produção de álcool em gel, testes, além de também tentar desenvolver análises de métodos para resolver esse problema”, comenta a vice-presidente da APG. “São nas universidades públicas que mais de 90% das pesquisas são desenvolvidas no país. Infelizmente temos vivido um momento de muita contradição. Corta-se dinheiro de Ciência e Tecnologia, cortam bolsas, cortam investimentos em universidades federais, diminuem recursos nas universidades estaduais. Infelizmente estamos vivendo uma crise que coloca para nós que o estado precisa fomentar cada vez mais essas atividades. Sem intervenção do estado para garantir no serviço público a qualidade da educação e da pesquisa, as pessoas correm risco cada vez maior de padecer”, finaliza. 

“Os pesquisadores dependem das bolsas para sobreviver e os programas dependem para haver a manutenção da qualidade, para não fechar as portas. Sem as bolsas, torna-se muito difícil o estudante ficar no Programa e produzir com qualidade. O pesquisador, que deve ter dedicação exclusiva, passa por necessidades financeiras para se manter e também tem prejuízos na produção da pesquisa”, afirma Ferracioli.

A APG informou que no dia 3 de abril A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) entrou com mandado de segurança na Justiça Federal da 1ª Região pedindo a revogação da Portaria 34, medida emitida pela Capes, bem como a restituição das bolsas cortadas, implementação, recomposição das bolsas perdidas em 2019 e seu reajuste em valor integral.

“Esses cortes, na verdade, acabaram não sendo feitos para os estudantes que já têm as bolsas, e sim para pessoas que receberiam as bolsas nesse ano e ficaram sem. Ou seja, diversos estudantes que poderiam iniciar esse processo de conseguir sua dedicação exclusiva para suas pesquisas, acabam ficando sem a bolsa. Isso é um impacto na qualidade do Programa, porque os bolsistas são obrigados a desempenhar todas as atividades do Programa, que acaba perdendo esse apoio e participação”, acrescenta Isabela.

 

 



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